(escrito por Marcelo Machado em 19/09/2001)
Depois de uma jornada conturbada, sendo que saĂ de SP Ă s 13:00hs, e sĂł consegui chegar a Cidade do Rock Ă s 21:30hs, passando por alguns pequenos probleminhas e sem conseguir comprar cartões para recarregar meu celular. Descrevo aqui, aos olhos de um maidenmanĂaco como foi o show no dia 19 de janeiro.
Sexta-feira, 19, 10:30 da manhĂŁ!!
Acordei muito mal , depois de dormir pouco (havia chegado em casa Ă s 6 da manhĂŁ), mas
AQUELE ERA O DIA. O DIA DO IRON MAIDEN NO ROCK IN RIO.
Abri o armário e dei uma olhada na minha camisa do IRON… pensei bem e decidi nĂŁo colocá-la. NĂŁo queria me “perder” no meio da multidĂŁo e tambĂ©m a camisa que eu havia comprado no site oficial da banda nĂŁo havia chegado.
Fui atĂ© o banco, buscar o “capital” necessário para a grande jornada que estava por vir, fiz uma limpeza na minha carteira, deixando sĂł cic, rg e o ingresso do show, claro. Tentei comprar cartões para o meu celular (afinal, sĂł tinha 17 reais de crĂ©dito) mas nĂŁo achei. “Tudo bem, na rodoviária eu compro”- pensei. Almocei, dei uma ultima olhada no CD Brave New World e segui rumo a rodoviária TietĂŞ.
No metrĂ´, nada familiar, nenhuma camisa, nenhum maidenmanĂaco. Na rodoviária, um guichĂŞ com a placa: “PrĂłxima saĂda Rio – 13:00hs”. Olhei no relĂłgio, eram 12:35. Comprei a passagem. O balconista perguntou se eu ia ao show, respondi que sim com um brilho nos olhos. Ele falou que talvez fosse melhor comprar a passagem de volta já naquele momento. Como nĂŁo sabia que hora iria conseguir voltar, resolvi arriscar e seguir sem passagem de volta. Fui atrás de uma papelaria e do meu cartĂŁo de celular. Na papelaria comprei um bloco de anotações de bolso e duas canetas, afinal eu tinha de registrar tudo e nĂŁo poderia confiar na minha fraca memĂłria. E, mais uma vez, nĂŁo consegui comprar o cartĂŁo de celular. “Bom, na rodoviária do Rio deve ter” – pensei mais uma vez.
Na plataforma de embarque, finalmente o primeiro sinal de que era mesmo dia 19. Um casal metal trajando camisetas com Eddie, o mascote que Ă© praticamente um membro da banda. É engraçado como o assustador morto vivo Eddie fica atĂ© que bem emoldurado em um blusa baby look feminina…
NĂŁo demora muito e a fila de embarque Ă© tomada por diversas camisa do Iron Maiden, e juro a vocĂŞs, Ă© possĂvel ver a ansiedade em cada rosto ali presente. Todos se olham meio puxando papo, afinal já sabemos que estamos todos indo ao mesmo lugar.
No Ă´nibus, sentei em uma poltrona do lado de um cara que iria para o RIR mas para ver Silverchair no domingo (nada contra, mas eu nem sabia que o Silverchair estava no RIR). Detalhe, como comprei passagem de Ă´nibus nĂŁo-leito, nĂŁo havia ar-condicionado e o calor era infernal. Eu suava em bicas, e nem havia saĂdo de SP.
Bom, marcha engatada, vamos ao RIO!!
Durante o trajeto começam as conversas paralelas:
“- Meu esse show vai ser muito bom”
“-Tenho que avisar meu pai que está tudo bem”
“- Faltei ao trabalho dizendo que estava com dor de ouvido, mas depois do show acho que vou ficar mesmo”,etc..
Descubro que todos no ônibus (menos eu e o cara do Silverchair) estão sem ingressos. Corajosos ou vacilões?!?!?!
15:00hs – parada em Valinhos, mais ou menos 200 KM de SĂŁo Paulo, a visĂŁo do restaurante/lanchonete/posto de descanso Ă© uma sĂł…. inĂşmera camisas pretas com as mais diversas bandas de rock (outras nem tanto). E vários grupos de fĂŁs do Maiden… eu estava começando a me sentir em casa.
Entrei na lanchonete… tanta coisa para comprar…. comer muito e dormir ou fazer uma refeição leve??, afinal o que estaria por vir nĂŁo era nada fraco…
Resolvi comprar um pacote de biscoito, uma garrafa de água e uma lata de guaraná. A galera mandou ver nas cervejas…
15:30 saĂda – um dos passageiros pede para ver o meu roteiro do RIR, o cara parece que nĂŁo sabe muito bem quem vai tocar no sábado (e eu tambĂ©m nĂŁo…).
Desse ponto em diante finalmente consegui dormir um pouco…
18:30 – já estamos no Rio de Janeiro, Av. Brasil… mas eu me sinto como se estivesse na Marginal Pinheiros em SP, um transito infernal, o calor mais infernal ainda e uma curiosidade: Porque os Ă´nibus no Rio tem o numero de itinerário tambĂ©m na janela traseira?!?!?
É, mais eu estou no Rio mesmo, fica claro devido ao nĂşmero infinito de vendedores ambulantes que correm do lado do Ă´nibus gritando: SXXXKOL sĂł um real, água, coca e SXXXKOOLL!! (IncrĂvel, mas as doze horas que passei no Rio nĂŁo vi ninguĂ©m vendendo Brahma, Antarctica ou Bavaria, somente SXXXKOL…. porque será??)
Nessa hora meu companheiro de viagem (que ficou o trajeto inteiro tentando reclinar seu banco) me dá um toque que pode significar a tranqüilidade ou o inferno: No Rio, você entra no ônibus pela porta traseira!
Meu telefone toca, Ă© um camarada de SP (Bunnyman) perguntando onde estou, se estou sozinho e outras coisas. Aproveito e peço para que ele avise ao meu Pai que está tudo certo…
Depois de 40 min aparece a primeira placa indicando onde fica a rodoviária… finalmente, pois ninguĂ©m mais agĂĽenta ficar dentro daquele Ă´nibus.
Finalmente descemos na rodoviária… acompanho meus novos amigos atĂ© o guarda-volumes, onde eles vĂŁo deixar malas e câmeras fotográficas… nĂŁo entendi muito bem, mas vamos lá.
E nĂŁo consegui comprar cartĂŁo para o meu celular.
Tentei ligar para um amigo que tambĂ©m veio de SP e estava na cidade do rock, mas o telefone dele dá ocupado diversas vezes… e eu iria descobrir porque disso mais tarde…
Fora da rodoviária é fácil localizar o ponto final do ônibus que vai para Cidade do Rock, vazio, tarifa 2,50 e com um motorista que se achava o Nigel Mansell.
O curioso aqui Ă© que a linha nĂŁo era especĂfica para o RIR e isto fazia com que nas paradas entrassem pessoas que nĂŁo estavam nem sabendo que o Rio seria palco de um show. Resultado: Por diversas vezes, a cobradora (ou trocadora, como eles dizem lá) teve que gritar para fora do Ă´nibus: ” – Esse Ă´nibus Ă© mais caro, vai para o RIR!!!” e lá ia o pobre pai de famĂlia ficar puxando a cordinha para o motorista parar e ele poder saltar do Ă´nibus.
Certa hora, nĂłs mesmos estávamos gritando : “AĂ mermĂŁo, Ă© doisxx e cinqĂĽenta e vai para o Rock In Rio, valeu?!?!”
Mas como Ă© longe… me sinto fazendo um passeio turĂstico no Rio pagando apenas 2,50. Certa hora o Ă´nibus pára e entram 4 cariocas, já meio grisalhos com garrafas de whisky JB penduradas no pescoço por barbantes.
Um deles senta ao meu lado e grita: “Aieee, motorisxxta, fechamosxx o onibusxx agora valeu?? Acelera forte pro Rock In Rio!!!”.
É…, sĂł que nĂŁo dava para acelerar forte, pois a subida do Alto da Boa Vista (um morro) que terĂamos que atravessar era mais do que Ăngreme, e nosso motorisxxta teve de manter a segunda marcha.
Curiosidade: Passamos em frente ao Hard Rock Café. Como aquilo é imenso!!! Parece um shopping center!!!
Lá dentro nĂŁo pode ser somente uma casa de shows… deve ter ate sauna mista!!!
Depois de exatas 2:13 minutos, Ă s 21:30, descemos em Jacarepaguá na Cidade do Rock. Como meus amigos foram procurar seus ingressos, pensei comigo: “Agora Ă© cada um por si!”
No percurso de mais ou menos 1kM atĂ© a entrada, via-se todo tipo de mercadorias… desde máscaras que imitavam Eddie atĂ© aqueles colares de neon (!).
Já na entrada da Cidade do Rock tentei ligar para o meu amigo e nada… para fazer teste tentei ligar para minha casa e nada… tentei a central de atendimento ao assinante e nada. Ai eu me dei conta: Meu telefone nĂŁo estava fazendo ligações por algum motivo inexplicável!!! Droga!!! E agora??? Fiquei puto da vida!!!
ApĂłs um revista bem malfeita… (se eu quisesse entrar armado nĂŁo iria ter problemas) entrei na Cidade do Rock!! Muita, muita, muita gente!!!
Mas eu estava preocupado com o meu celular. Comecei a mudar as configurações de rede, de sistema, analógico para digital e nada!! O bicho não funcionava nem a pau!!
Depois de uma meia hora, resolvi seguir pelo método antigo. Comprei um cartão telefônico de 60 créditos e fui ate um orelhão!! Liguei para o celular do meu irmão (que trabalha em uma empresa que presta assistência técnica de celulares) e perguntei porque ele não funcionava. Meu irmão devolveu a pergunta querendo saber quem estava tocando (!). Após um pequeno desentendimento, ele me orientou e eu cheguei a conclusão de que iria precisar de pelo menos mais dois cartões de 60, se quisesse me comunicar com alguém.
Liguei para meu camarada em SP (Bunnyman). Ele pergunta: “Quem está tocando? ” – Eu respondo: “NinguĂ©m”. E ele: “Como nĂŁo? O Sepultura esta no palco agora, tá na TV”. Ai eu me liguei da importância de um engenheiro de som. Eu estava atrás da tenda de tecno, e nĂŁo conseguia ouvir o Sepultura lá no palco mundo. E nĂŁo era porque o som estava baixo nĂŁo… incrĂvel.
Bom, a ligação caiu e eu resolvi comer algo. Preços muito salgados – gastei 5 reais em um misto frio (gelado) e um copo mĂ©dio de coca-cola!!!
Já alimentado resolvi dar uma volta pela tal “Cidade do Rock”. Passei na tenda Tecno e havia uma loira nĂŁo muito vestida sacolejando ao som de “O que sobrou do cĂ©u” do Rappa e vários marmanjos babando.
Passo pelo camarote VIP, que ficava absurdamente longe do palco mundo, quase do lado de fora da cidade do rock e completamente vazio. Acho que quem era VIP mesmo tinha passe livre para o Backstage.
Passeando pelo mini-shopping descubro um stand da Directv cheio de belas e simpáticas atendentes transmitindo o que??? O Show do Sepultura!! Não tive dúvidas, me servi de alguns canapés, puxei uma cadeira e fiquei vendo a banda Nacional mais Internacional do Brasil de camarote. Mas, como fiquei conversando com uma atendente da loja chamada Silvia, não me atentei muito ao Sepultura, pois já vi pelos menos uns três shows dos caras e também o Derek (vocal do sepultura) não estava usando a mini-saia que a Silvia estava(!!!!!!).
Bom, acabou Sepultura, me despedi da Silvia, comprei um cdzinho em promoção na Directv e fui continuar minha tour pela cidade do Rock.
Havia vários stands, todos eles muito pequenos. Submarino, Saraiva, Lojas Renner (!) e diversos outros.
Entrei no stand das Lojas Americanas, para talvez fazer mais uma aquisição sonora. Como era um ovo, o segurança controlava o numero de pessoas para que a lotação lá dentro nĂŁo passasse de 25 pessoas. Aguardei, entrei e adquiri mais um Cd de uma banda nacional odiada pelos crĂticos que faria show no dia seguinte.
A esta altura, Rob Haldford já dava seus gritos impecáveis no palco mundo. Nunca fui fã de Judas Priest, mas me desloquei ate a lateral do palco para poder ver melhor. E realmente era uma estrutura gigantesca com uns 70 metros de fundo mais uns 100 de largura. Os telões eram médios, mas forneciam uma visão satisfatória para quem estava mais longe. Dezenas de técnicos e seguranças posicionados em um fosso entre o palco e a galera, que se divertia na lama causada pela água jogada pelos caminhões pipas (ah, então foi isso que irritou Carlinhos Brown).
Rob Haldford Ă© um profissional, entrou, cantou e saiu. NĂŁo falou nada com o pĂşblico e no máximo mandou alguns gritos para que a galera o seguisse. Disse algo e emendou com a Ăşnica coisa de Judas Priest que eu conhecia – Breaking the law, que mister Haldford deixou que a galera (poucos) cantassem.
Final do show, quebra-quebra de instrumentos e finalmente depois de alguns minutos começaria o tão esperado show do IRON MAIDEN!!!!
Decidi voltar para a borda do gramado. Pois minha experiĂŞncia de 58 shows diferentes me diz o que esperar da “área do gargarejo” em um show de Hard rock.
00:50hs – estou sentado em frente ao camarote VIP, com fome, sono e frio. Mas ansioso!!!
1:00hs – como o show está previsto para a 1:00, levanto e caminho alguns passos para mais perto da galera. Detalhe que, enquanto o palco do Iron Ă© montado, sobe um pano preto encobrindo parte da visĂŁo sobre o mesmo… será alguma surpresa?!?!
Durante a afinação dos instrumentos, uma voz diz: “- Next… ok!”, “Next…. ok!” – um maidenmanĂaco do meu lado jura que Ă© Bruce (!)
1:08hs – As luzes no palco se apagam… milhares de pessoas começam a gritar e correr em direção ao palco. Tenho vontade de fazer o mesmo, mas confesso: Estou paralisado! Já vi o Iron Maiden no Philips Monsters Of Rock (96, acho) mas era Blaze Bayley que cantava (!!!!). SĂł que agora temos Mr. Air Raid Siren e Adrian Smith de volta!!! Agora sim Ă© o IRON MAIDEN!!!!
Uma mĂşsica estilo Carmina Burana invade as caixas de som. VocĂŞs que lĂŞem isto agora nĂŁo podem imaginar como eu me sentia. Estava em transe.
Eis que a mĂşsica Ă© cortada subitamente, um refletor mira o lado esquerdo do palco e surge ele: Mr. Adrian Smith tocado sozinho a introdução de Wicker Man. Nicko ataca na bateria e em poucos segundos Bruce entra correndo (algo que nĂŁo pararia de fazer durante todo o show!), Steve, Dave e Janick… estĂŁo todos lá… trĂŞs guitarras… um peso fora do normal. Um pano imenso no fundo com a imagem da capa de Brave New World. A Donzela está no palco!!!
Sem tempo para respirar, Ghost Of Navigator Ă© executada muito bem ao vivo com um solo monstruoso de Janick Gers, simplesmente perfeito. Os vocais de Bruce sĂŁo de tirar o fĂ´lego. E ele excita a galera : “Eu quero ouvir a voz de vocĂŞs!!!”
Bruce diz Boa Noite ao publico e ataca de Brave New World, faixa tĂtulo do Ăşltimo trabalho da banda que Ă© um Ăłtimo disco, que marca a volta de Bruce e Adrian mostrando a banda reunida outra vez para alegria dos headbangers.
O primeiro e tĂŁo esperado clássico. Bruce pergunta: “Algo velho?? – Algo do meu perĂodo Jurássico!!!”. E o baixo de Harris e a bateria de Nicko desfilam juntos em Wratchild. Um ponto alto para muitos que ali nĂŁo conheciam muito bem Brave New World. Bruce deu um grito aqui que eu achei que ele iria arrebentar as cordas vocais…. sensacional. (AlguĂ©m ai falou em playback?!?!
QUEM SABE FAZ AO VIVO E NEM PRECISA QUEBRAR GUITARRA!!!!!)
Bruce abraçado a Adrian que executa a introdução de 2 minutes do midnight. Outro clássico que levanta a galera. A esta hora já estou parecendo um louco, sem camisa (a 10 min atras eu estava com frio) pulando e tocando guitarras imaginárias, baterias no ar, cantando e gritando como uma criança. Bruce solta o seu primeiro “Scream for me Rio!!!” e sobe na câmera que fica no trilho. (Mais tarde eu veria no vĂdeo, que ele filmou o prĂłprio rosto e apontou para galera como que diz… Vejam !! Vejam isto!!!!)
Nesta hora eu me dei conta que havia um helicĂłptero parado sobre a cidade do rock, provavelmente filmando tomadas para o DVD.
ApĂłs a magnĂfica execução de 2 minutes to midnight, Bruce agradece a todos que os auxiliam, que os suportam e que mantĂ©m o rock, diz algo sobre Britney Fuck Spears e dedica a prĂłxima mĂşsica a todos que agradeceu, Blood Brothers. Uma mĂşsica melodiosa que emociona. Aqui Dave Murray mostrou por que veio, uma atuação impecável!!! Bruce ainda comanda a galera em uma coreografia de palmas, me lembrando Queen no RIR 1, Radio GaGa.. Adrian Smith tambĂ©m merece destaque. Acho que ele deve ter pensado : “PĂ´, eu nunca deveria ter saĂdo daqui”.
As luzes se apagam novamente, outra introdução clássica. Sign of the Cross Ă© iniciada. Desta vez Ă© Nicko que rege a platĂ©ia. Nesta hora Bruce some do palco, para aparecer junto a uma cruz (nos shows da turne Brave New World, Bruce Ă© preso a uma cruz que se levanta no fundo do palco), mas algo dá errado e Bruce volta ao palco visivelmente irritado. Parece que houve algo com a cruz. De qualquer forma, Bruce profissional como sempre nĂŁo poupa esforços para cantá-la de melhor forma possĂvel, já que o efeito da cruz nĂŁo vai aparecer no DVD. SĂŁo 11 minutos de mĂşsica e uma parte da galera (eu inclusive) canta aquela refrĂŁo maravilhoso ( The sign of the cross, the name of the rose….).
Isto me faz lembrar um comentário que li em alguma reportagem sobre o Iron, onde diziam que Blaze Bayley era um bom cantor, mas para cantar no Iron, ser bom nĂŁo basta… acho que vocĂŞs sabem o que eu quero dizer…
Dito isso, outra do disco novo. The Mercenary que agitou muito a galera. Mas repito mais uma vez, nem todos ali conheciam o Brave New World, uma pena, pois é um álbum muito bem feito.
Bruce diz que a prĂłxima mĂşsica fala sobre guerra e outras coisas que meu parco inglĂŞs nĂŁo consegue identificar. EntĂŁo a maravilhosa The Trooper Ă© iniciada. Nesta hora percebi que o pano de fundo (ou a imagem nele refletida) havia sido trocado para aquele do single The Trooper (Eddie correndo com a bandeira da Inglaterra). No palco há tambĂ©m duas bandeiras da Inglaterra sobre a bateria de Nicko. Bruce agita as bandeiras e canta a plenos pulmões. (IncrĂvel como Bruce corre, salta de um lado para o outro e continua gritando como se o show tivesse acabado de começar!). Se houvessem arquibancadas na cidade do Rock , com certeza elas desabariam aqui de tanto que a galera agitou.
AĂ, entĂŁo Mr. Air Raid Siren agradece, diz que o pĂşblico do Brasil Ă© demais e que por isso está sendo gravado um DVD para que o mundo inteiro veja o Rock In Rio, veja o Brasil, a AmĂ©rica do Sul e seus fĂŁs.
Janick se posiciona sobre um violĂŁo acĂşstico montado sobre um cavalete e Ă© Dream of Mirrors que se inicia. Uma mĂşsica relativamente grande (cerca de 10 minutos) que literalmente emociona a platĂ©ia. Sem comentários…
The Clansman, gravada originalmente por Blaze. A platéia se mantém meio quieta, não sei se devido ao cansaço ou a lembrança do ex-vocal do Maiden. Aqui fica claro que Adrian Smith é o mais sério em palco. Enquanto Dave e Janick se divertem, ele se mantém concentrado.
The Evil That Men Do – Mais clássicos, essa mĂşsica tem um solo de base simplesmente perfeito e contagiante. Sem contar a “metralhadora” de Harris. E aqui um ponto que me arrepiou a espinha: Eddie (o Eddie Hunter) entra no palco e começa a brigar com Gers, que se diverte dando guitarradas e fugindo do mascote da donzela. Via-se que a galera estava paralisada!!
E o Hino, começa com Bruce dizendo: Lights?? And Black??? Or just FEAR OF THE DARK???
Sim, esta música é um verdadeiro hino. Já é parte do show a participação em massa da platéia nos refrões inicias, intermediários e finais dessa música.
A esta hora eu já estava destruĂdo, e acompanhava o show com os olhos esbugalhados como os de uma criança na frente da vitrine de doces. Estava anestesiado, embalsamado… sem me mexer e sem piscar os olhos…. Hipnotizado.
E vem aquilo que todos conhecem: SCREAM FOR ME BRAZIL!! SCREAM FOR ME ROCK IN RIO!!! WE’RE IRON MAIDEN!!!!! Dave na introdução, seguido de Adrian e Janick. É incrĂvel como essa mĂşsica ganhou com o acrĂ©scimo de mais uma guitarra.
Eddie do single Wicker Man aparece ao fundo tendo fogo ao seu lado e as mulheres de branco dentro dele de onde Bruce canta de forma esplêndida. Na virada da música, a cabeça de Eddie se abre e o rosto é igual ao do Eddie Hunter, com os olhos emitindo um facho de luz vermelha e a cabeça se movendo de um lado para o outro.
“Thank you, and g’night! From Iron Maiden, from Eddie and from the boys….” Bruce vai para dentro de Eddie com as mulheres, Janick e Dave esmerilham suas guitarras nos amplificadores, Nicko, Harris e agora Adrian seguram a batida final!
Nicko, que quase nĂŁo apareceu, faz a festa jogando peles de bateria, baquetas, munhequeiras, correndo de um lado para outro do palco e some no backstage.
Ninguém se move, afinal todos sabemos que ainda falta Number, Hallowed, Sanctuary e talvez alguma surpresa (Jimmy Page???!)
O intervalo Ă© rápido (menos de 5 minutos) e entĂŁo aquela voz tenebrosa surge nos amplificadores. O pano de fundo nĂŁo deixa dĂşvidas, a capa de The Number of The Beast, o disco de maior sucesso da banda. Mais uma vez a galera vai ao delĂrio. Eu já estou catatĂ´nico. Pulando e tocando bateria no ar!!!
Sem mais interrupções, Hallowed Be Thy Name Ă© executada. Se alguĂ©m aqui tem dĂşvida da força de Bruce, basta ver como ele canta esta mĂşsica que já Ă© a 16ÂŞ do show. Dave mais uma vez mostra que sabe muito bem o que faz com sua guitarra. Vendo parece atĂ© fácil. Bruce comanda a galera, como já de praxe na parte final da mĂşsica, e que solos finais, que fĂ´lego…
Sanctuary indica que o show está nos minutos finais. Bruce nĂŁo apresentou a banda (mas tambĂ©m, precisa??) e brinca excitando a galera do lado esquerdo, depois o direito (“- Left, Rigth, Left, Right…”) .continuando a cantar do nada e a banda acompanhando ele como um relĂłgio. Demais!!!
Bruce entĂŁo agradece e diz que quer tirar uma foto da banda com a galera ao fundo. Pede para que todos gritem Rock ‘n’ Roll quando ele contar atĂ© trĂŞs!. A galera responde. Provavelmente esta foto vai para a capa/encarte do disco!!
AĂ Bruce diz que eles vĂŁo fazer algo especial para nĂłs, tocar algo que nĂŁo tocam há algum tempo. Algo que representa muito para ele e para banda. E escuta-se as batidas de “Run to the hills”. Perfeita, magnĂfica, com os Back’s de Harris, a galera participando, histĂłrico!!!!
03:15hs – Acaba o show, Nicko se diverte um pouco mais e eles somem no backstage. Faltou clássicos??, inĂşmeros. O show poderia ter algo de realmente diferente? Poderia! Que tal 4 horas de show?? Seria Ăłtimo. Mas creio que assim como eu, aquelas 140, 150, 200 mil pessoas tinham visto que Iron Maiden Ă© realmente a maior banda de Hard Rock! NĂŁo há como comparar! Uma performance de palco de fazer a inveja. E olha que os caras tem sĂł 24 anos de carreira!
IRON MAIDEN É IRON MAIDEN E ISTO BASTA!
Observação Final: Na saĂda do show, um dos portões laterais se abre e duas vans cantam pneus em meio á multidĂŁo. Devido ao trânsito, elas dĂŁo uma pequena parada. Olho para uma delas e reconheço Nicko McBrain se secando com um toalha. Na outra, Steve Harris olha pela janela, parecendo assustado. NĂŁo sei se ele está me vendo, mas faço um sinal de quem está batendo palmas, Harris dá um sorriso agradece abaixando a cabeça e faz um sinal de positivo com o polegar… A Donzela está mais ativa do que nunca!
UP THE IRONS!!!!!!!
Estou em frangalhos, o Ă´nibus demora no trajeto, metaleiros dormem no chĂŁo da rodoviária, eu sĂł consigo passagem para as 7:20hs da manhĂŁ. Mas valeu a pena, faria tudo de novo…
Marcelo Machado tem 23 anos, foi taxado de louco, mas está feliz. Atualmente passa por uma overdose de Iron Maiden escutando os seus velhos vinis e ainda não conseguiu comprar cartão para o seu celular.
SET LIST:
The Wicker Man
Ghost of the Navigator
Brave New World
Wrathchild
2 Minutes to Midnight
Blood Brothers
Sign of the Cross
The Mercenary
The Trooper
Dream of Mirrors
The Clansman
The Evil that Men Do
Fear of the Dark
Iron Maiden
The Number of the Beast
Hallowed Be Thy Name
Sanctuary
Run to the Hills